Domingo, Junho 29, 2008

MUITO SOBRE O NADA



 Como se inicia uma história sobre o nada? Quais devem ser as primeiras palavras?

 

Quem já se sentiu preso no instante imediatamente anterior ao turning point? Congelado no tempo, num momento e lugar em que nada vai para lugar nenhum. Todos os dias passam a se repetir numa infidável fileira de dias infindáveis e inúteis, cujo o único proposito é finalizar o dia, e tentar dormir, e tentar acordar no outro dia, um dia novo. Mas nunca se acorda. Não de fato.

 

Quem consegue se perceber preso a maldição do tempo?

 

Realmente tocamos uns aos outros?

 

Normalmente eu percebo que as pessoas, quando conversam, não estão realmente dialogando, mas estão seguindo dois monólogos em paralelo. Uma finge que escuta e parece responder, mas no fundo fala para si mesma, escuta a si mesma. Eu, normalmente, não perco mais meu tempo, converso com as paredes que são boas ouvintes, exceto por um grupo muito pequeno – que ainda assim não garante que o dialogo esteja acontecendo, mas pelo menos é um grupo capaz de elicitar monólogos interessantes.

 

O caminho é solitário, mas saber disso não torna a solidão mais suportável. Não existe nada capaz de aliviar a carga e colaborar com o fazer-se desperto ao mesmo tempo. Alívio real antes do despertar é impossível. Esse tipo de alívio é so entorpecimento.

 

POR TRÁS DA VERDADE

 

Às vezes eu penso que seria mais facil se eu nunca tivesse tido um vislumbre sequer disto, ou se eu acreditasse piamente em alguma religião que me oferecesse um caminho burocrático para a salvação. Mas como um personagem do filme Matrix descobre pagando com a própria vida, não existe retorno possível, assim como não existe retorno possível a Ixtlan.

 

Mas como eu poderia querer retornar àquilo que ainda está comigo?

 

Não estamos despertos, somos sonâmbulos. Ser um sonâmbulo nos coloca numa existência mais desconfortável do que a daquele que dorme imóvel.

 

Sonâmbulos no deserto. Essa é a vida do intermezzo, nós, os imbecís, os loucos. E como é facil nos enganarmos ao confundir a chama da vela com o sol! Nós, os não-iluminados, os cegos. Tendo como desafio permanecer num mundo que descobrimos morto. Tendo a obrigação de desmontar a bomba que jaz em nosso peito. Sem tempo.

 

Não somo iluminados.

Não somos escolhidos.

Não somos enviados.

Somos condenados armando um plano de fuga. Traças tentando roer o duro tecido que encobre a tudo, a tudo que nem sabemos o que é, apenas intuímos. Mas por que confiar nessa intuição? Nos, que perdemos a esperança e só temos fé.

 

Mas isso não é a verdade.

Estas são somente palavras.             

    

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Sábado, Junho 21, 2008

Pecabilidade


Deslizando pelas bordas da consciencia, eu estava com muito sono para me observar. Entao me deixei ficar la, exatamente como os outros, olhando as prateleiras sem saber exatamente o que estava fazendo. Passando o tempo. E Don Juan ja havia dito que um guerreiro nao faz algo apenas para passar o tempo. Mas felizmente, nao havia nenhum oponente de valor a minha volta, talvez porque eu tambem nao seja um, entao, quem vai querer me atacar?

Mas eu me deixei ficar por um tempo, tonta, zonza,  vacilante, ouvindo a musica como uma parede sonora no fundo da cena, sabendo que eu estava desacordada, pelo menos sabendo. Seguindo com medo de atravessar  a rua. Deixando meus passos autonomos me guiarrem adiante, enquanto a realidade saia de foco neste dia chuvoso.

Nao, isso nao foi um sonho, eu estava desperta, mas por outro lado, eu estava dormindo. Seguindo o sonambulismo diario para o qual eu sempre caio quando estou com preguiça de me viagiar.

E ainda hoje eu nao me permiti a minha meia hora diaria de auto-piedade. Sim, eu tive que me conceder mais este pecado. De outra maneira, ela me perseguia por todas as horas. Restrito a meia-hora, pelo menos, o demonio esta semi-domado, mas eu o quero morto. 

Enquanto isso eu vejo as sombras se afastarem como barcos no mar, barcos no rio, os fantasmas transitam quase se tocando, quase se reconhecendo.

Depois de muito falar, eu descubro que nao tinha nada para dizer, e morro.

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Terça-feira, Junho 17, 2008

Kung Fu Fighting- Animated Music video, para Pato

Devido ao tom beligerante disseminado pelos anonimos da vida e alimentados pelos nossos caros companheiros de circulo nas patolandias e reticencias da vida, acho que esta mais do que na hora de formar a nossa gang ninja de Kung fu e dar vazao a toda a furia sanguinaria presente nas nossas pobres almas matrixianas.

Esta mula que vos fala, devidamente batizada de mula pelo monge ninja supremo Kaslu, ja se registrou como mula-ninja, o pato ja esta tambem devidamente registrado como pato ninja (sim, eu me aproveitei de conversas na calada da noite, quando o pato estava cansado e indefeso para induzi-lo a assinar o contrato).

Aguardo inscriçoes dos interessados, inclusive os anonimos serao aceitos, desde que escolham um animal para se nomear.

ps - Lulu, devido aos seu desenhinho no SV
--------()---------, o pato sugerio sabiamente que voce assumisse a alcunha de perereca-ninja, o que acha?

Aguardarei ansiosamente a manifestaçao dos demais

Mula-ninja

Domingo, Junho 15, 2008

Extraordinary Machine (Fiona apple)

Bem, me senti meio descrita ai...
Pode dizer que eu sou uma chata, mas eu sou fan de Fifi

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Quarta-feira, Junho 11, 2008

Guerreiros sem forma


“O que distingue o guerreiro do homem comum é a coragem. 
O que distingue um guerreiro de outro é aquilo que ele 
com sua coragem efetivamente realiza.” 
By Lee in Jeet Kune Do

O Caminho da Verdade na Arte do Jeet Kune Do, foi assim descrito por Bruce Lee: 

1. Busca da Verdade 
2. Consciência da Verdade e sua existência 
3. Percepção da Verdade, seu conteúdo e direção como movimento. 
4. Entendimento da Verdade (como a totalidade não fragmentada indicada por Krishnamurti) 
5. Vivência da Verdade 
6. Domínio da Verdade. 
7. Esquecimento da Verdade. 
8. Esquecimento do portador da Verdade. 
9. Retorno à fonte original, onde a Verdade tem suas raízes.

Então, Lee dizia que no início ele achava que um soco não era nada... com o tempo ele entendeu que o soco poderia ser a expressão de uma alma... e então o soco poderia ser tudo.... mas para atingir a perfeição, era preciso ir além... e então entender que um soco não era nada!
Semelhança interessante com o arqueiro-zen!

Entao advem o supremo e final milagre: a arte se torna 'sem-arte', disparar se torna nao-disparar, um disparo sem arco e flecha; o professor se torna o pupilo denovo; o Mestre, um iniciante; o final, um começo, e o começo, perfeiçao.

Contribuiçao de Anonimo (se bem que todo mundo ja sabe quem eh)

"Arco e flecha sao apenas um pretexto para algo que poderia muito bem acontecer sem eles, apenas um caminho para uma meta, nao a meta em si mesma, apenas ajuda para o ultimo e decisivo salto"
(...)

"Nao menos decisivo, por outro lado, eh o fato que as experiencias dele, suas conquistas e transformaçoes espirituais, enquanto elas continuam 'dele', devem ser conquistadas e transformadas novamente e novamente ate que tudo 'dele' seja aniquilado. Somente desta forma, pode ele atingir as bases para experiencias que, como a 'Verdade que tudo abarca' , o eleve para uma vida que nao eh mais a sua vida do dia-a-dia, vida pessoal. Ele vive, mas o que vive ja nao eh mais ele mesmo."


Zen in the Art of Archery
Eugen Herrigel

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Terça-feira, Junho 10, 2008

Perfeiçao


"Voce deve estar se perguntando, neste ponto, como os Mestres japoneses entendem essa competiçao do arqueiro com ele  mesmo, e como eles descrevem isso; suas  respostas devem soar enigmaticas ao extremo. Para eles, a competiçao consiste no arqueiro mirando a ele mesmo - e ainda assim, nao a ele mesmo; em atingir a si mesmo, e ainda assim, nao a si mesmo, e entao se tornar simultaneamente aquele que alveja e o alvo, o batedor e a batida. Ou, para usar algumas expressoes que sao mais proximas aos coraçoes dos Mestres, eh necessario para o arqueiro se tornar, apesar de si mesmo, um centro imovel. Entao advem o supremo e final milagre: a arte se torna 'sem-arte', disparar se torna nao-disparar, um disparo sem arco e flecha; o professor se torna o pupilo denovo; o Mestre, um iniciante; o final, um começo, e o começo, perfeiçao."

in Zen in the Art of Archery
by Eugen Herrigel

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Domingo, Junho 08, 2008

AOS AMIGOS PERDIDOS NO CAMINHO, UM AVISO SE POR ACASO NOS ENCONTRARMOS DENOVO

Como eu posso te explicar, depois de todos esses anos, as coisas que aconteceram comigo? Nao foram os acontecimentos exeternos que me mutaram, eles apenas me modificaram um pouco. Os que aconteceram por dentro sim, esses foram os acontecimentos que me tornaram disforme, mas nao entenda mal apalavra que emprego. Me tornar disforme - ainda que o processo esteja incompleto - foi o melhor que pode me acontecer. E nessa incompletude, ainda nao perdi a forma como deveria ser, em varios relutantes aspectos permaneço a mesma: fraca, preguiçosa e desesperadamente humana, e tantas outras qualidades - boas e mas - que insistem em se agarrar a mim, ou eu a elas para ser mais precisa. Assim me mantenho dual, tao dual como qualquer outro ser que caminha sob o sol. Tao longe da impecabilidade que doi.

Eh como se com o tempo eu fosse me tornando uma colcha de retalhos, onde pedaços de fases e personalidades diferentes fossem se agregando, e ao mesmo tempo morrendo.

Cada dia eh um suicidio - pedaços que decidem voluntariamente se sacrificar. Cada dia eh um assassinato - pedaços que resistem e eu tenho que matar da forma mais violenta possivel.  Mas tem compartimentos que permanecem la, intocados e atuantes, gerando ciclos, vicios e sonambulismos, e eu devo seguir, caçadora de mim mesma, matando, queimando e quando tudo corre como deveria, integrando e sintetizando, mutando os pedaços em um. E assim sigo, nessa bizarra digestao das minhas proprias entranhas.

E sobre tudo isso, controladamente, na superficie, devemos manter o teatro, atuando, espreitando o mundo, espreitando a nos mesmos, para assim estar no mundo e nao deixarmos nos possuir por ele. Sem glamour, contando com a compreensao de poucos, compartilhando com tao poucos o mesmo ordalio, e ainda assim, todos tao solitarios, seguindo seus proprios caminhos.

Mas me pergunte se eu desejo outro caminho?
Eu vou aonde meu coraçao esta.

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Quinta-feira, Junho 05, 2008

Weiss

Muitas vozes

Vc sabe o que é estar perdido?
Quando por uns instantes vc levanta a cabeça depois de muito subir e então percebe...
Que falta pouco mas é muito para o seu fôlego.
Você abaixa novamente a cabeça e apóia mãos sobre os próprios joelhos
E bufa, bufa, para ver se o ar em contrário enche os seus pulmões tontos...
Você então entende que está perdido!
Olha e pede ajuda pra ninguém
Onde estava você que não veio
Onde estava você que me esqueceu
Meu amor
Na minha primeira vista
Não, não eu não tenho culpa.
Mas porque então chamo essa angústia poderosa e massacrante no meu peito de culpa.
Não, não existe o pecado.
Mas então porque ele me persegue nas mínimas coisas como se meu pai ainda estivesse vivo e fosse me castigar.
Não existe desvio.
Mas então porque a sensação de que não estou no caminho certo por causa de minha própria natureza.
Meu amor
Para sempre na minha primeira vista
Onde você está, pois preciso apoiar a minha cabeça....tonta.
(por kaslu)

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Para Kaslu:

Mr Somewhere

Day comes up sicker than a cat
Something's wrong that is that

Mr. Somewhere missing somewhere never did figure just how much

A boat from the river takes you out
'cross the other side of town, to get out, to get out
You take the tide, any tide, any tide
like there isn't gonna be any tide

Mr. Somewhere missing somewhere never did figure just how much
Missing somewhere never did figure just how much

A world like tomorrow wears things out
It's hard enough to get what's yours for now
And the hardest words are spoken softly
Softly look, no hands upon

Mr. Somewhere missing somewhere never did figure just how much
Missing somewhere never did figure just how much

Now the milkman beats you to the door
That was once a home, home no more
Mr. Somewhere, missing somewhere couldn't get the calendar to stop
Missing somewhere, never did figure just how much
Missing somewhere, never will admit just how much

By This Mortal Coil

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Aos Sonhadores:

Parece que andamos nos esbarrando em sonhos, ainda que nem tanto conscientes 
(pelo menos eu nao)
Nos fadamos por vontade propria a usar o sistema para burlar o sistema
Fizemos um trato sem precisar faze-lo
Estamos unidos pela mesma vontade
de buscar
Somente a Verdade

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Terça-feira, Junho 03, 2008

Complementando...

Tema de A Viagem de Chihiro

Em algum lugar, uma voz chama
Do fundo do meu coração

Que eu possa sempre sonhar

Os sonhos que movem meu coração

Tantas lágrimas de tristeza

Incontáveis lágrimas rolaram

Eu sei que, do outro lado,

Eu encontrarei você

Todas as vezes que nós caímos no chão,

Nós olhamos para o céu azul lá no alto

Nós acordamos para a sua imensidão azul,

Como se fosse a primeira vez

Como o caminho é longo e solitário

E não enxergamos o fim

Posso abraçar a luz com meus dois braços

Quando digo adeus,

Meu coração pára,

Com ternura eu sinto

Meu corpo vazio e silencioso

Que passa a ouvir o que é real

O milagre da vida,

O milagre da morte

O vento, a cidade, as flores,

Todos nós dançamos em união
Em algum lugar, uma voz chama

Do fundo do meu coração

Continue sonhando seus sonhos,

Nunca deixe eles partirem

Por que falar das suas tristezas

Ou sobre as angústias da vida?

Deixe teus lábios cantarem

Uma linda canção para você

Não esqueceremos a voz sussurrante

Em cada lembrança,

Ela ficará sempre para guiar você

Quando um espelho se quebra, estilhaços se espalham pelo chão

Lampejos de uma vida nova

Refletem-se por toda parte

Janela de um recomeço,

Silêncio,

Nova luz da aurora

Deixe que meu corpo

Silencioso e vazio

Seja preenchido

E nasça outra vez

Não precisa procurar lá fora,

Nem navegar através dos mares

Porque brilha aqui dentro de mim,

Está bem aqui dentro de mim

Encontrei uma luz,

Está sempre comigo


By ITSUMO NANDO


Inscrito por Kaslu na lapide do Somente a Verdade


Domingo, Junho 01, 2008

O Luto?



O circulo tambem pode ser um elo da corrente que te prende.
O circulo tambem pode ser o no da corda que te amarra.
O circulo pode ser as algemas nos teus pulsos.
O circulo tambem deve ser quebrado.

Mas agora?
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Me disseram que a cigarra canta antes de morrer. Mas ela nao esta morrendo, apenas precisa abandonar a velha casca para poder continuar. Eu costumava a pegar cascas abandonadas de cigarras para usar como broches quando pequena. Eu achava que eram cigarras mortas. Mas eram apenas involucros abandonados.

ciciciciciciciciciciciciciiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Eu ouvia no fim da tarde e la ia colher cigarras.

A nossa hora tambem chegara. So temos que cuidar para que nos tornemos a nova cigarra que parte, e nao a velha casca que fica.

Ou melhor ainda. Que nos tornemos o vazio que escapa pelo buraco aberto pela cigarra ao deixar a casca.

Que o vazio nao seja o vazio da perda, mas o vazio criativo.
O principio do 'ultimate void'.
O vazio da criaçao.
Ou quaisquer outras palavras que voce use para definir, porque qualquer palavra eh impropria para descrever aquilo que eh anterior a lingua. Porque palavras no fim nao sao nada sem a açao que nao-fazemos.
































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