
Insights sobre a liberdade num dia, sonho sobre coisas perdidas e lamentadas num outro.
O que te prende? O que te liberta?
Justamente quando percebemos que somos mais livres do que imaginamos, o ego arranja uma maneira de te lembrar que você já quis muito "ser" algo que foi perdido, e uma ferida narcísica esquecida se abre em flor. Uma dor brota no peito para te desviar da outra flor que aguarda, plena, perene, escondida.
A boa notícia é que a flor narcísica tende a murchar. A outra não. Mas tudo depende do que você alimenta no seu coração.
Eu estava no meio da rua, era noite, e eu percebi que perdi quase tudo. Não tinha um trabalho para ir no dia seguinte, meus estudos só dependiam de mim. Eu morava na casa de outros, e vivia da benevolência alheia. Me senti como um peregrino nessa vida. E foi esmagadora a sensação de liberdade. Se eu fosse abduzida por um OVNI, morresse, fosse consumida em fogo de dentro para fora, pouco restaria para que os meus resolvessem. Sem dívidas, sem heranças. Uns chorariam porque ainda não compreendem. Talvez alguns sorrissem por mim. Mas eu partiria sem deixar pendências, filhos, compromissos.
E então vem esse sonho onde sou lembrada de coisas que desejei e perdi, e fico de mau humor.

