Em Re-construção Constante

Não adianta parar, o caminho não termina porque você cansou. Ele termina quando você chega.







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terça-feira, abril 09, 2013

Do Livro do Viajante



Às vezes eu acho uns fragmentos que eu não sei de onde vieram. Umas mensagens estranhas que eu suponho serem para mim (nesse universo que crio sempre são, não?)

Futucando arquivos mortos achei isso aqui:

From the traveler’s book:
I walk in parallel universes where you can’t reach me. I ´m farer every day, more and more connected with what you’re disconnected. Languages start to differ in ways impossible to transpose. How can you understand what I am trying to do if you can’t even understand what I became?    

Do livro do viajante:
Eu ando num universo paralelo onde você não pode me alcançar. Eu estou mais distante a cada dia, mais e mais conectado com o que você está desconectado. Linguagens começam a se diferenciar de formas impossíveis de transpor. Como você pode entender o que eu estou tentando fazer, se você sequer pode entender o que me tornei?

Fiquei com saudades do viajante. Eu espero acordar para poder segui-lo. Ele não espera nada, ele caminha.

segunda-feira, junho 25, 2012

CASINHA



Somos seres permeáveis, porosos. Gostamos de nos imaginar sólidos, mas a solidez é uma ilusão já denunciada por muitos físicos. Mesmo assim, seguimos vendo-a, sentindo-a, porque o que foi aprendido se entranha de forma a parecer impossível de se desmontar.

Estou cansada de tentar desmontar e talvez agora, só porque cansei, eu consiga. Porque quando cansamos, desistimos de agir e ficamos observando. A tal diferença entre fazer e ser.

Talvez por isso eu sempre pense em parar por aqui, mas aqui é um lugar que sempre me pareceu casa, pequena, solitária, mas a casa que eu construí e que sempre me acompanhou independente de quando os outros castelos, reais ou imaginários (na verdade, imaginários ou mais imaginários), ruíam. Mas isso também é ilusão. 

sábado, julho 30, 2011

UMA MORTE ANUNCIADA


Será que estou condenada a vagar para sempre neste longo corredor? Um corredor que desce é poço, o que sobe é torre, mas ainda assim, corredor. Por que não um buraco de minhoca? Um mini-buraco negro? Mas por aonde vou, só vejo mais do mesmo.

Não consigo sustentar a vontade por muito tempo, e se ela se vai o desejo se apresenta para preencher o vazio, mas eu nunca vi um caminho feito de desejos que nos leve muito longe. O desejo não é intento, o desejo se consome tão rápido e não se mantém.

Talvez eu deva me tornar um buraco de minhoca, me converter em ponte, em um buraco-negro. Mas é preciso ficar tão vazia aponto de não deixar passar nada e assim, tudo passar através.

sexta-feira, novembro 05, 2010

Em Busca



Há dias que a vida parece inviável. O ar falta, os braços cansam e a luta parece perdida. Tudo que se quer é terminar. Deitar-se a sombra, na beira da estrada e deixar que o caminho role por sobre você. Mas são poucas as mortes que merecem ser morridas.
Os dias vão seguir, um depois do outro, mas eles são os mesmos. Isso eu aprendi. Você procura a verdade, mas a verdade, por estar nua, nunca é notada. Nós nos impressionamos com vestes e armaduras.
Meu fardo é pequeno, mas o que adianta se minha força é menor?
Os dias passam em que eu tento exaurir meus músculos, mas nunca o suficiente, e eles atrofiam. Essa atrofia que aumenta dia após dia.
Eu também estou em busca do animo, mas os dias não contam ao meu favor.
Prometo pular assim mesmo.

sexta-feira, junho 04, 2010

De Volta aos Campos (de Batalha)




Eu sinto o esfacelar de um novo dia, e ignoro o princípio de uma nova era. O mundo cai em pedaços e eu nunca resisto ao desejo de reconstruí-lo. Por isto estou presa aqui, no feitiço do tempo, neste grande dia da marmota.

Deixe o vento varrer para longe as cinzas dos mortos. Por que eu tenho escolhido sempre a promessa de um novo dia? Que é sempre o mesmo, que sou sempre eu? Por que eu caminho no deserto carregando esta bagagem inútil, estas memórias que me fazem esquecer das verdadeiras lembranças?

Eu sonho porque estou dormindo, e isto já diz tudo.

Ninguém está ou já esteve desperto por aqui.

Mas isto não me desculpa, isto não me alivia, porque não existe consolo. Desde quando eu aprendi a gostar das falsas calmarias? Está na natureza humana tentar se preservar, tentar manter um padrão e uma estabilidade - esta é a nossa maldição: nossa própria humanidade. O falso paraíso que disfarça o inferno, isto é mais maligno que a consciência da nossa própria danação.

O único caminho possível é uma nova batalha, e que esta seja final, e que eu pereça e dê lugar ao que vem depois.

sábado, abril 04, 2009

Ao deserto

O Vento parou.
Ate onde a vista alcança eh nada.
Um vasto horizonte vazio se estende ate.
So resta andar para frente.
Mas para frente eh qualquer direçao.

Um vago momento de consciencia no meio do sonho
Tentei encontrar alguem/voce/uma amiga/meu irmao
Mas tudo estava escuro
O resto foi pura insanidade
Por que sempre acontece quando estou voando?

sexta-feira, janeiro 23, 2009

TAO ou O Curso


X

Nao ao estudo                                 e foi-se a inquietaçao
"sim" e "pois nao"                          quanto se distinguem?
bem e mal                                         como se distinguem?
O que os homens temem             nao se pode nao temer?

esteril! esse nem sim nem nao

A massa efusiva e mais efusiva
como no gozo de um festim sacro
como nos altos de sagrar a primavera

soh eu acorado! nesse ainda sem auspicios...

Como recem-nascido antes de se acriançar
marionete! sem para onde retornar

a massa tem o superfluo
soh eu sem que nem pra que
eu...que coraçao de idiota
oh! confuso e mais confuso

a gente brilha que brilha
soh eu ofuscado e aparvalhado
a gente vibra que vibra
soh eu melancolico e mais melancolico
placido! tal qual o mar
ao vento! como sem lugar
a massa tem com o que
soh eu obstinado e tosco

mas soh eu diferente dos outros
Dignificando a mae nutriente

Tao Te Ching
Lao Tse
(traduzido por Mario Bruno Sproviero, 


segunda-feira, maio 12, 2008

Somente Deserto

Tudo calmo e parado na superficie. A corda aperta em torno do meu pescoco e nao ha mais tempo, nunca houve.

E eu ainda nao tenho certeza do caminho. Mas eu continuo, um passo depois do outro, porque nao tenho mais a opcao de ficar parada, sentada a beira, vendo a vida passar.

Aqui nao ha sombras para me confortar, nao existem rios. So um caminho poeirento que parece sem fim. E eu quero chegar, eu quero passar, eu corro, mas nao existe nem miragem para me confortar.

Nao existe conforto, nao existe descanço. So na superficie, so na aparencia.
Por baixo, as correntes nao me deixam parar de nadar na areia. 


 

quinta-feira, maio 08, 2008

Tum-tum













Quantos passos daqui ate ali?
Quantos passos ate a vela se apagar?
Tum-tum, tum-tum. 
Quantos dias faltam para meu coraçao parar?
Como viver no presente se tudo que se busca esta no futuro?
Como se lembrar de tudo se a memoria insiste em falhar?
Tum-Tum, tum-tum.
Quantos dias faltam para o meu coraçao parar?
As respostas nao estao escritas em nenhum lugar.
A bela dorme, a chama queima.
Quanto tempo para a Branca de Neve desengasgar?
Com a maça envenenada atravessada na garganta ela esta morta.
Tum-tum, tum-tum. 
Mesmo que seu coraçao insista em bater,
De tanto bater arrisca a parar.



quarta-feira, março 19, 2008

Enquanto isso

Eu ainda lamento os pedacos perdidos ha muito tempo atras. Carregando-os como um cemiterio na memoria. Meu coracao esta pesado. Eu choro sobre seus pequenos cadaveres. Eu os acalento. Ate que se tornem po, ate que se vao com o vento. Mas meu coracao esta pesado. E isto nao eh poesia. Eh morte, eh mentira.

Eu estou de luto. Arrastando correntes pelo deserto. Talvez eu tenha partido cedo de mais, verde demais. Mas nao ha mais tempo, nao se pode esperar para sempre.

Meu unico consolo eh que a carga se transforme em musculos, e os musculos em vontade.

segunda-feira, fevereiro 25, 2008

ADEUS (ou o melo da desapaixonizacao)

Te enterro agora
Meu amor
Ainda vivo e sofrendo
Mas com as maos atadas para sempre
Ah, meu deserto
Espero que o vento apague
Suas pegadas na areia
O que fazer quando nao ha nada a fazer?

O que esperar quando a morte eh certa
E o silencio ataca
Como explicar a dor que se sente
Quando se esta incapaz de perceber a dor

Eu abri meu peito
E encontrei palavras vazias
Ja ha muito ditas
E sangue coagulado
Estou vazia
E faz eras que eu nao te espero mais.


Adeus

BY Andrea Matta

Esse eh o melo da desesperança.
Nao do desespero.