Em Re-construção Constante

Não adianta parar, o caminho não termina porque você cansou. Ele termina quando você chega.







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domingo, fevereiro 02, 2014

COTIDIANO


Leva-se um tempo para perceber que existe magia num simples respirar.
Mas o pior é que só perceber não resolve muita coisa.
Eu escuto falar daquele seres que vivem em estado de meditação quando comem, andam e escovam os dentes.
Muita auto-espreita?
Não existe real magia, transmutação, transcendência se esta não abarcar todo o seu cotidiano.
Sei lá, só conjecturas de uma mente buliçosa e agitada, mas que não está desperta.

quarta-feira, maio 16, 2012

Aqui e Agora


"Velai e orai" foi a herança que
Cristo deixou aos audaciosos.
Velar é fazer-se todo Desperto; Orar é
sentir um ardente desejo de Ser.
Mas, quem ore e quem vele, ainda que
o faça de um modo imperfeito, receberá
generosa ajuda e tratará de aprender a 
recebê-la também generosamente...
A ajuda está Aqui e é Agora.

in: El Vuelo de La Serpiente Emplumada
Armando Cosani


As possibilidades, ainda que infinitas, na verdade não são. Só existe uma possibilidade, e ela está Aqui e é Agora, não importa onde você se encontre.

sexta-feira, abril 20, 2012

Neste Exato Momento


Não quero mais ficar em busca do tempo perdido. Tempo perdido não existe. Ficar em busca do tempo perdido é como procurar o Papai Noel no Polo Norte (todo mundo sabe que ele mora nos shopping centers).

Uns tempos atrás numa sessão de auto-hipnose, auto-sondagem profunda, eu me perguntei do que precisava. A resposta foi única e categórica: Presente Absoluto. Pow! Fácil, parece. Na verdade é fácil, mas fácil não combina com a ideia corrente de que evoluir é um ato muito complexo.

Acontece que o presente absoluto é super difícil na sociedade em que vivemos. Não apenas podemos ser naquele exato momento, temos que projetar. Além de se estar sempre buscando um lugar no passado onde tudo era melhor, essa nostalgia errônea.

Fui ler o Poder do Agora. Na verdade estou me arrastando na leitura  porque tudo o que ele propõe parece fácil, mas estou tendo a maior dificuldade de colocar em prática. Ser eu neste exato momento? Rá, como não pensar o tempo todo nas decisões do passado que me trouxeram aqui? Como não pensar o tempo todo de como seria se tudo tivesse sido diferente? Como não tentar pensar que no ano que vem tudo vai melhorar para mim? E o que estou fazendo agora?

Ainda não achei o ponto certo, mas a pergunta que Eckhart Tolle propõe no Poder do Agora - "Qual o meu problema neste exato momento?" - que nada mais é que uma releitura do Zen - "O que falta neste exato momento?" - tem me ajudado neste intento. Em geral, as coisas se simplificam imediatamente quando eu me faço essa pergunta. Normalmente meu problema nos momentos pontuais, no exato e absoluto minuto em que estou, são muito fáceis de resolver (ir ao banheiro, comer, terminar o trabalho que estou fazendo, respirar direito para completar meus 40 minutos de caminhada/corrida, etc). Assim, todas as projeções para o futuro se dissolvem.


segunda-feira, abril 09, 2012

VAZIO MAIS CHEIO QUE MEU SACO

Nada vai preencher o vazio interior, porque é assim que ele deve ficar: vazio.

Só me resta suportar o peso do nada. Só me resta aprender a viver fora do tempo, no tempo, dentro do mundo, sem me enredar com ele.

O vazio interior é como um buraco negro que consome sua própria carne e cabe a mim não resistir em alimentá-lo com minhas personalidades morrentes, sobreviventes, renitentes, desesperadamente humanas, mesmo que o pavor da morte psíquica se confunda com o desejo da morte física, e tudo assim entrelaçado me leve a pura e simples depressão, porque se você não pula no abismo, ele se faz dentro de você.

Por isso, hoje, eu vou ligar o botão “que se foda” e nunca mais desligar. Mas o segredo é não deixar ninguém perceber. É duro ser um tigre que pensa que é ovelha neste mundo de ovelhas que pensam serem lobos. Se fosse possível desistir, eu já teria feito. Mas uma vez que você começa, todas as outras alternativas desaparecem (porque nunca existiram).

Por isso coma-se.

Se voce nao se devorar

Voce ira explodir

Voce foi ao sul no trem

Ela usava botas de plástico para a chuva

E voce rastejou exausto

Não faz sentido voce gostar disso

Quem serei eu quando estiver com voce novamente?

Um jato prateado no ceu

Voce é a dor que tem uma canção

Tem que cantar pela vida

Se você não se devorar, sem dúvidas

a dor irá fazer isso no seu lugar

Então como eu posso te amar tanto

Quando você não me ama

By Goldfrapp

domingo, março 18, 2012

Matando O Ego – Tiro, Faca ou Envenenamento?






“O ego é um deus ciumento, e quer seus interesses atendidos. Ele não quer admitir a realidade de nenhuma dimensão, exceto aquela em que ele se sente confortável e que pode entender. Ele foi intencionado para ser um auxílio, mas lhe foi permitido se tornar um tirano. Mesmo assim, é muito mais flexível e ansioso para aprender do que geralmente é suposto. Ele não é naturalmente rígido como parece. Sua curiosidade pode ser de grande valor. Se você tiver uma concepção limitada da natureza da realidade, então seu ego fará o melhor para mantê-lo na pequena área fechada da realidade que você aceita. Por outro lado, sua intuição e instintos criativos terão permissão para a liberdade, então eles comunicarão um pouco de conhecimento das grandes dimensões a essa porção mais fisicamente orientada de sua personalidade.”

In Seth Fala –Jane Roberts

Engraçado como virou moda culpar o ego de certas coisas. Fulano é ciumento, isso é coisa do ego, sicrano é narcisista, culpa do ego. Como se o ego fosse uma identidade externa, um encosto, não fizesse parte de nós. O ego é o novo obsessor. Antes era a bruxa, o olho gordo, o qualquer coisa que tirasse a sua responsabilidade de agir feito um imbecil.

Fala-se muito em matar o ego como se isso fosse libertar imediatamente a pessoa. Como alguém que se deixa dominar e identificar com o ego como seu ser total pudesse simplesmente matar o ego. Sério? Eu não sei o que é que esse povo acha que seja isso de matar o ego. Viver como um vegetal entoando cânticos? Entrar em transe (e não sair mais dele, claro, se não o ego volta)? Sei lá, mas sempre me parece que isso levará a algum tipo de imobilidade ou a pessoa se torna um suposto ser iluminado que tem o direito divino de sair dizendo o que os outros podem ou não. Isso não me parece com matar o ego, ou mesmo controlá-lo e pô-lo a serviço do ser. Isso me parece mais com deixar o ego dominar sem que você perceba, achando que ele se foi quando ele sempre esteve lá, mas ops, isso já é o que é. Então não mudou nada e você não passa de um trouxa.

O problema é mais em cima.

Eu, da minha parte, não tenho nenhum interesse em matar o ego. Eu preciso conhecê-lo para poder me desidentificar dele, ou melhor, reconhecê-lo como parte de mim, mas apenas parte, e das bem pequenas. Daí dominá-lo, domá-lo, pô-lo a meu serviço e não o contrário.

Agora, isso tudo é muito fácil, mas o fácil é muito difícil justamente porque somos ególatras e adoramos a complexidade. Mas é fácil, tanto que acabei achando como na internet, ora veja, e apenas em cinco passos!



Viu? Agora para de culpar o ego por seus erros e faça a lição de casa.

domingo, outubro 30, 2011

DISGRESSÕES




Ousar, conhecer e manter em silêncio. Este era antigo voto
imposto aos bruxos, magos e feiticeiros. Comer, amar e rezar é só um título de
filme, que não assisti, mas acho o título super piegas...mas não tem nada a ver
com que eu ia falar, é só que a tríade de ações parece se combinar, sempre
parece que temos três coisas a fazer.

Também aprendi que a energia procura o caminho de menor
resistência. O que significa que é preciso deixar tudo desbloqueado, mas para
desbloquear tudo é preciso deixar ir uma grande parte de você mesmo, de certa
forma, morrer.

Quantos estão dispostos a realmente se entregar a este
caminho? Será que eu estou? Tarde demais para se perguntar quando já se iniciou
uma trilha pela qual é impossível voltar. Você vai se modificando e sendo
modificado até não se reconhecer mais, ainda que você tente se iludir, tente se
apegar a velhos hábitos, tente manter uma identidade ilusória. Puro medo do que
se pode vir a ser. Veja só como seu corpo envelhece, se modifica, se altera, se
renova, degenera e ainda assim, você não deixa ir, se apegando a ideia de um
corpo que não existe mais.

Mas a jornada é um eterno vir a ser, e pode ser extremamente
frustrante quando você deseja chegar ao fim do caminho. O que me lembra da
velha frase: “cuidado com o que você deseja, pois você pode conseguir”. Será
que quer se chegar realmente ao fim do caminho? O caminho tem um fim?
Morrer, caminhar e, talvez, chegar. Outra tríade.

É preciso matar velhos hábitos, que são difíceis de morrer –
old habits day hard – mas será necessário criar hábitos novos? Poderíamos viver
sem hábitos, sem rotinas? Eu tenho vivido sem uma rotina fixa por um tempo e
confesso que isso sempre me deixar sem intento, ou talvez, eu não consiga viver
bem sem rotina porque meu intento seja fraco.

domingo, agosto 28, 2011

PACTO



A bruxa bateu a minha porta e eu a deixei entrar.

Perguntou se poderia ficar e eu disse sim.

Perguntou se poderia me ensinar algo e eu permiti.

Ela me disse que eu não poderia mais permitir que meu anseio se tornasse ansiedade.

“Você esteve em pico por muito tempo, e o pico, de cume virou um platô”

Eu sei, eu disse a ela, mas saber não me acalma. Não há nada que eu faça que me conduza à tranquilidade. As ações se paralisaram, já não sigo o fluxo. Caí na tempestade e cega não encontro mais o olho do furacão.

Ela me fez uma proposta, a bruxa. Ela disse que não se ressentia por eu tê-la abandonado antes mesmo de florescer. Ela disse que não se ressentia pela minha inconstância e inconsistência. Ela disse que não se ressentia por ter provado as porções, mas nunca tê-las bebido até o fim. Ela disse que não se ressentia pela minha falta de persistência. Ela disse que não se ressentia por eu ter alimentado por tanto tempo este demônio de estimação que estava me devorando.

Eis o que a bruxa me propôs:

Aprenda comigo, e antes de quebrar os ciclos, aprenda a apreciá-los. Antes de transpassar a natureza, aprenda a sê-la. Aprenda a apreciar o mundo, mesmo sem se confundir com ele. Você é capaz de fazê-lo. O medo de ser contaminada pelo cotidiano fez de ti uma pessoa fraca. O medo de ser devorada pelo mundo te reduziu a um tamanho irrisório. Nenhum poder pessoal cresceu neste tempo. O que você acreditava que era “estar no mundo sem ser do mundo” era apenas fuga da realidade, e fugindo dela, você não pode percebê-la, dominá-la, superá-la.

Sem saber o que você estava fazendo, seu temor mais grave se concretizou. Neste tempo todo, você foi do mundo e este te devorou. Toda sua vontade drenada, toda sua disposição para a luta, desviada. Você não consegue mais agir nem cá, nem lá. E de flexível demais, por medo de cristalizar,você está se tornando disforme.

Aprenda a ser-me, ela me sorriu. Não apenas finja que me és. Pare de me sufocar, me deixe dançar livre, me deixe uivar, me deixe respirar e correr. Isso não vai te desviar do caminho, porque nada mais vai. Só você mesma e o demônio que você permitiu fazer morada no seu ser te podem descarrilar. Separadas, somos fragmentos, juntas somos uma, e a unidade é mais forte que a diversidade.

Eu a olhei no espelho e sorri. Eu e a bruxa selamos nosso pacto, mesmo na lua minguante, porque já estávamos além.

E a primeira tarefa, ela disse, consiste em arrumar seu quarto. ;)



domingo, agosto 14, 2011

QUE VENHA A TEMPESTADE

Que venha ela, mesmo que com ela eu não possa e me parta ao meio. Que o coração se parta, ele foi feito para ser partido. Que venha como um trator e que não deixe vestígios nem pedaços. Que a densidade se disperse, para fora, para o alto. Que o dentro é fora e o fora dentro, e o que está no alto está em baixo. Que venha o corte, pois o corte cura. Que venha o corte e com ele a lembrança. Que venha para mim e você, mesmo que você não tenha idéia do que isto quer dizer.


Um dia eu pensei que precisava me manter inteira para ser uma. Um dia eu pensei e agora não quero pensar mais. Um dia eu pensei muito e pensei que eu poderia chegar pensando. Engano. Havia eu, agora ainda há, mas já não é tão importante. Meus pensamentos não me pertencem, e mesmo que eles me atormentem, já não podem me carregar.


Que venha a tempestade. De areia, de sangue ou gelo, que seja solar e fatal. E você não precisa entender para se entregar. Apenas sinta o que ela transpassa. A carne é só uma camada.