Em Re-construção Constante

Não adianta parar, o caminho não termina porque você cansou. Ele termina quando você chega.







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quinta-feira, fevereiro 13, 2014

PONTO DE PARTIDA

AOS EXILADOS DE IXTLAN


You've started something, now: finish it!

Tudo começa com uma inspiração, os pulmões queimam e você descobre estar vivo. E sobrevém um pensamento. Mas um pensamento é uma onda que morre na praia sem uma ação. Então você decide dar um passo. Aí, então, meu amigo, você partiu para sempre. Não tem volta. Você pode tentar por mil anos, mas não tem volta. Não porque o ponto de partida não esteja mais lá, mas porque você já não é. Você morreu. Boa viagem. 

Aproveite a paisagem, ligue o som, porque não tem volta. E nunca se esqueça: Em guarda! Dormir no meio do caminho, não vai te levar a lugar algum.

domingo, dezembro 22, 2013

SOBRE A IMPLACABILIDADE



Confesso que sempre tive um pouco de dificuldade de entender o conceito de implacabilidade como ensinado por D. Juan. Na verdade, o problema maior não é nem tanto o meu entendimento, mas a aplicação. A tradição judaico-cristã entranhada na nossa sociedade faz com que confundamos implacabilidade com crueldade, e ser bom com ser "bonzinho". O justo, como preconizado pelo Tao,por exemplo, não é assimilado. Sempre que aplicamos alguma ação tendemos a pender para um dos dois lados, e mesmo quando conseguimos um equilíbrio desejado somos mal interpretados, pois as pessoas não conseguem perceber aquilo como justiça, pois sempre querem que passemos a mão pela cabeça delas, e se aplicamos alguma ação mais assertiva é porque não as amamos.

Claro que muito se tem falado do tough love, que seria algo como "amor duro", ou seja, ser capaz de dizer o que se precisa para alguém com a franqueza necessária, sem nhen-nhen-nhem,  mesmo que isso pareça cruel, mas com amor, porque se quer que aquela pessoa cresça. E isso ressoa em mim como algo na linha da implacabilidade. Mas tente aplicar o tough love para ver o que acontece. Aliás, aplicar o tough love será meu desafio para o próximo ano.

O problema é que eu ainda não desenvolvi aquela sintonia fina de que Don Juan falava:

"Seja implacável mas encantador. Seja esperto mas simpático. Seja paciente mas ativo. Seja doce mas letal."

A verdade é que ou eu sou muito permissiva ou eu peso a mão.

Mas toda essa reflexão surgiu por conta de ter recebido um desses e-mail com aquelas estorinhas de lição de moral, e na sua conclusão eu só pude pensar na implacabilidade:

A bondade que nunca repreende não é bondade: é passividade.
A paciência que nunca se esgota não é paciência: é subserviência.
A serenidade que nunca se desmancha não é serenidade: é indiferença.
A tolerância que nunca replica não é tolerância: é imbecilidade.

Bem, talvez minha próxima tatuagem seja essa: "Seja doce mas letal". Apesar de eu preferir sabores mais amargos. Mas não existem paradoxos irreconciliáveis.









quarta-feira, maio 22, 2013

JORNADA


O que aprendi ao longo da vida é que estamos sempre no ponto inicial. Sei que afirmar isso pode parecer que estamos sempre estagnados, mas nada mais distante do que eu quis dizer.
Quando damos um passo, estamos deixando algo para traz e entrando em algo novo. Um novo passo é um novo início, e assim temos a possibilidade de estarmos sempre nos renovando.
Na verdade, a estagnação seria não dar passo algum ou tentarmos dar repetidamente o mesmo passo. Tentar fazer isso é se prender no passado, e o que se deve buscar em uma jornada é o momento presente.
O passo que daremos depois deste passo que estamos dando agora ainda não existe. Por tanto, quando, por fim, o dermos, ele também será novo. Então, ao invés de ficarmos ansiosos deveríamos nos animar com as novidades. Cada dia é um novo dia, cada passo é um novo passo, ou pelo menos assim deveriam ser encarados. Viver dessa maneira é se libertar do “feitiço do tempo”, das repetições infinitas, dos hábitos que aprisionam.
Como é viver assim? Eu também ainda não sei, eu também estou me esforçando para conquistar essa forma de encarar a vida. A única coisa que posso dizer é que isso me parece uma forma de encarar a realidade extremamente libertadora.

quarta-feira, maio 01, 2013

Os Perigos do Caminho do Guerreiro Solitário



Em última instância, mesmo sabendo que apesar de sermos todos um em certo nível, neste momento, estamos todos sós. Mesmo assim, nosso caminho pode ser permeado pelo encontro com mestres verdadeiros - infelizmente os falsos mestres estão em maior abundância, mas com um pouco de treino você começa a reconhecê-los.

Independentemente da presença de mestres no nosso caminho, devemos sempre estar dispostos ao auto-aprendizado. Sei que ele é perigoso, afinal é muito bom ter alguém para ajudar a gente a achar o caminho das pedras antes de ter que afundar na água umas 300 vezes. Além do mais, podemos criar vícios difíceis de serem abandonados e nos tornarmos arrogantes por nos julgarmos auto-suficientes.

O problema é que, às vezes, não existe outra opção que não a auto-iniciação. Dizem que quando o aprendiz está pronto, o mestre aparece. No meu caso específico, na maioria dos momentos, os mestres vieram em forma de livros, sites e textos em geral. Textos que apareceram no momento em que eu precisava. Ainda não tive nenhum mestre no estilo Don Juan-Castaneda ou Dan Millman-Socrates. Será que ele(a) passou e eu não vi? Será que ele(a) virá?

Claro que aprendi com muita gente que admiro, mas nada nos moldes acima citado. De qualquer forma, acredito que cada um tem o caminho que merece.


domingo, março 10, 2013

CREDO DE UM GUERREIRO




Não tenho pais: fiz do céu e da terra os meus pais.

Não tenho lar: fiz da percepção o meu lar.

Não tenho vida ou morte: fiz do fluir e refluir da respiração a minha vida e a minha morte.

Não tenho poder divino: fiz da honestidade o meu poder divino.

Não tenho recursos: fiz da compreensão os meus recursos.

Não tenho segredos mágicos: fiz do caráter o meu segredo mágico.

Não tenho corpo: fiz da resistência o meu corpo.

Não tenho olhos: fiz do relâmpago os meus olhos.

Não tenho ouvidos: fiz da sensibilidade os meus ouvidos.

Não tenho membros: fiz da diligência os meus membros.

Não tenho estratégia: fiz da mente aberta a minha estratégia.

Não tenho perspectivas: fiz de "agarrar a oportunidade por um fio" as minhas perspectivas.

Não tenho milagres: fiz da ação correta os meus milagres.

Não tenho princípios: fiz da adaptabilidade a todas as circunstâncias os meus princípios.

Não tenho táticas: fiz do pouco e do muito as minhas táticas.

Não tenho talentos: fiz da agilidade mental os meus talentos.

Não tenho amigos: fiz da minha mente o meu amigo.

Não tenho inimigos: fiz do descuido o meu inimigo.

Não tenho armadura: fiz da benevolência e da imparcialidade a minha armadura.

Não tenho castelo: fiz da mente imutável o meu castelo.

Não tenho espada: fiz da ausência de ego a minha espada.

— Samurai anônimo, Século XIV.